A desaparição de Aida

VIII Bienal Internacional de Arte Textil Contemporaneo

Casa do Brasil -Madrid

Dimenções: 1m x 1m x 2,35m
Materiais: 30.000m de linha de costura, poliéster, fibra de vidrio, ropas.
 

Uma cela de urdume de linha de costura, um monólito, a delimitação de um espaço dentro do qual acontece uma historia, o continente para a desaparição de Aida. Uma urdume vazia composta de 30.000 metros de linha, um metro para cada desaparecido na passada ditadura militar Argentina.


Além da conotação politica e além de Aida ter nome e sobrenome, entra em temas mais universais como abordar entre outros, o desaparecimento psicológico de mulheres que se evaporaram, perderam sua identidade. 
A perda simbólica do EU. Mulheres que tinham muitas ilusões, sonhos, desejos e com suas  escolhas de vida  desapareceram, se evaporaram. Onde foram seus sonhos? Todo simbolizado pelo desaparecimento corporal, já que a matéria, como suas roupas, ali quedaram, caídas no chão.


A personagem titulo desta narrativa, serve para deixar em aberto muitas outras leituras, mas seu real nome e Aída Leonora Bruschtein Bonaparte,  em vida eu sempre conheci como Noni. Ela ficou alojada na minha casa por uns tempos num período que era procurada, junto com seu marido Cacho cujo nome real era Adrian.
Um dos fatos mais impactantes e ter a noção que cada um destes milhares de fios que compõem a urdidura, são dois jovens mortos. Números e estatísticas não dimensionam, mas a materialidade frente a nossos olhos de esses milhares de fios e aterrador.


Outra coisa que transforma em real o numero abstrato e a individualização. A roupa no chão, coisas cotidianas como maquiagem, óculos com a lente virada para o chão, algo que nunca aconteceria se não fosse repentino. Vestígios de que a pouco tinha uma vida, aí.


Mas esta obra pode ser reproduzida com diferentes nomes , na verdade poderia reproduzir ela milhares de vezes, com um nome diferente. Enfim, um exercício de memoria.