O cipó tem um papel agregador nas florestas, ele costura troncos finos e longos na procura da luz e permite que a floresta funcione como um todo, como um conjunto como uma sociedade.

Tal é o papel agregador do cipó, que quando estes são cortados para fazer um bosque  muitas árvores começam a cair em tempestades, pois sem o cipó é cada um por si.

 

Decidi então usar o Cipó como personagem  protagonista e não entrar muito no discursso da destruição das florestas, do drama ao qual estamos assistindo, mas falar da plasticidade do seu espírito como é o caso da obra "Branco sobre Branco".

 

A obra "Sede" com dois cipós entrelaçados com sua raiz a seco pendurada a poucos centímetros, retrata a dramática procura pela água.

 

 

              Instalação

 Memorial de America Latina 

    composta de três obras: 

     -  Branco sobre Branco

                - Casulo

                 - Sede

A escultura principal dá lugar a muitas leituras, pode nos lembrar um tubérculo, uma grande raiz, um Zeppelin, quase uma semente, mas é essencialmente uma forma orgânica, composta por grossos cipós, símbolos de grande força e vitalidade contrastante com suas pontas pintadas com tinta digital, azul chroma key, utilizada para criar cenários inexistentes em televisão.

 

O azul choma key é chocante por sua cor artificial e pelo uso dela, que transforma o irreal em real. Quase como no Globo Repórter, onde um cenário virtual mostra como são desvastadas as florestas e a fauna.

 

Frente a um fundo croma key todos podem estar inseridos numa floresta ou num deserto,  e assim  está sendo construído nosso imaginário,  convivendo, o imaginário do mundo virtual com o imaginário do  espírito da floresta.

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Sede 

Cipo,pedras e agua

Vigor visual em Juan Ojea 

 

Os três trabalhos apresentados por Juan Ojea dialogam entre si não apenas pelas formas orgânicas, mas pelos assuntos que são levantados na forma de interagir com o material. A preocupação essencial é se manter sempre atento ao poder inerente de cada suporte como forma de denso entendimento daquilo que acreditamos ser real.

A metáfora dos cipós auxilia a construir um universo de significados que se encontra na concepção de que, assim como um cipó, a arte funciona quando leva a reuniões e discussões agregadoras. Isso significa que cortar um cipó é uma maneira de machucar a floresta e levá-la para o fim.

Essa metáfora ajuda a conhecer melhor como Ojea dá às suas esculturas uma dimensão humana, algo atingido muito mais pelo que existe nelas de visceral e autêntico do que por uma postura meramente formal e mais preocupada com o discurso do que com a ação.

Efeitos estéticos dos cipós e seu parentesco com casulos gigantes, além da denuncia da falta d’água no planeta, levam a uma reflexão sobre o papel do artista. Tal qual cipó, um criador visual pode unir a floresta. Juan Ojea dá, assim, a cada obra o vigor visual que poucos textos escritos podem atingir.

                                                                                                                           Oscar D’Ambrosio

                                                                                     Curador da exposição Florestas - Memorial de America Latina