O Terreno e o Divino unidos por um cordão de sangue.

Casa de Cultura de Paraty-Rio de Janeiro

Dimensões: 80cm x 80cm x 240cm

Materiais:    Algodão,Lã,pedras e folha de ouro

Técnica:       Wrapping, Tie Die, 

Queria compartilhar com vocês o processo criativo desta obra para a Tenet Paraty, embora sua estrutura plástica permite inúmeras interpretações, todas validas e pertinentes, esta e minha concepção.

Quando decidimos fazer uma parceria a convite do Paraty Eco Festival e foi definido o tema festas de Paraty, comecei a pesquisar e encontrei que estas eram na sua grande maioria religiosas, Sta. Rita, O Divino,etc.

Debrucei-me então na pesquisa sobre a fundação de Paraty e compreendi que esta cidade foi construída com um fim digamos malévolo, sua função era receber gente sequestrada num continente, neste caso África, batizar com qualquer nome,conforme exigência papal, para isto foi construída a igreja de Paraty Mirim, engordada e envio destes escravos as minas de ouro das Minas Gerais.

Logo após este ouro era trazido a Paraty pela Estrada Real e embarcado rumo a um terceiro continente ,Europa. Claro que Paraty era um caminho mais fácil que Rio de Janeiro para facilitar o contrabando e sonegação do imposto de 20% da coroa, de ai, o “quinto dos infernos”.(qualquer semelhança com nossos dias e pura coincidência)

Para não ficar atolados na lama, Paraty foi pavimentada com pedras, mau colocadas por crianças escravas, e de ai vem aquele doce Pé de Moleque com amendoim em vez de pedras.

A minha obra é composta de três partes,  uma base folhada a ouro,sobre a qual coloquei pedras obtidas em Paraty mesmo pois queria que tivessem historia e trouxinhas de tecido. Suspenso na parte superior o divino, representado por um inferno, aquele com que a igreja nos ameaçou por séculos a aqueles que pensamos diferente.

 E assim, os dois unidos por um cordão de sangue, um ícone católico que na liturgia e substituído por vinho.

O inferno foi formado principalmente por amarrados tingidos conhecidos por Shibori, Tie Dye ou Batik Africano. Cada um destes amarrados tem um desenho único que não e visto pois permanecem amarrados, ou seja a revelação,ou o não revelado,ao igual que as trouxas misturadas as pedras da base,dentro delas, tem historias, segredos.

Como dado curioso, estes trezentos amarrados tingidos se abertos revelariam uma superfície de 48m2 composta de desenhos,cada um diferente e particular, como todos nos.

Esta obra pertence a uma serie chamada Fio Condutor, aquele que na literatura da um caminho, que junta, que da sentido a historia.

No caso ele junta verdades e mentiras. O ouro da base embora fina folha é ouro, verdadeiro,as pedras são verdadeiras, e o inferno... o inferno não existe,sempre foi uma mentira para dominação.

Mas com o tempo Paraty conseguiu lavar esse carma com a Ecologia, a Cultura, as Artes, a Literatura... Viva a  Nova Paraty!