Vigor visual em Juan Ojea 

 

Os três trabalhos apresentados por Juan Ojea dialogam entre si não apenas pelas formas orgânicas, mas pelos assuntos que são levantados na forma de interagir com o material. A preocupação essencial é se manter sempre atento ao poder inerente de cada suporte como forma de denso entendimento daquilo que acreditamos ser real.

A metáfora dos cipós auxilia a construir um universo de significados que se encontra na concepção de que, assim como um cipó, a arte funciona quando leva a reuniões e discussões agregadoras. Isso significa que cortar um cipó é uma maneira de machucar a floresta e levá-la para o fim.

Essa metáfora ajuda a conhecer melhor como Ojea dá às suas esculturas uma dimensão humana, algo atingido muito mais pelo que existe nelas de visceral e autêntico do que por uma postura meramente formal e mais preocupada com o discurso do que com a ação.

Efeitos estéticos dos cipós e seu parentesco com casulos gigantes, além da denuncia da falta d’água no planeta, levam a uma reflexão sobre o papel do artista. Tal qual cipó, um criador visual pode unir a floresta. Juan Ojea dá, assim, a cada obra o vigor visual que poucos textos escritos podem atingir.

                                                                                                                           Oscar D’Ambrosio

                                                                                     Curador da exposição Florestas - Memorial de America Latina

   

   Os livros de madeira de Juan Ojea sinalizam exatamente para esse processo tão complexo de cristalização do conhecimento. A história oficial que está nos livros, por exemplo, nem sempre dá conta, por razões ideológicas, é claro, daquilo que pode ter ocorrido.

 

Nas interpretações, os fatores são de tantas ordens, que não raro se sente que se está a ler um livro de madeira, pela dureza das posições ou pelo peso de notícias às vezes vistas sob uma óptica apenas. Curiosamente, a madeira, material nobre em sua essência, alerta que toda leitura deve ocorrer com muito carinho e bom senso.

 

Juan Ojea mostra que os livros se acumulam um sobre o outro como colunas a nos desafiar. Deglutir 200 anos demanda ter a mente pronta a captar informações e retrabalhá-las de modo que cada pensamento que profiramos seja novo, mas tenha embasamento, num jogo em que passado, presente e futuro convivam no espaço.

                                                                                                              Oscar D´Ambrosio

                                                                              Curador -Exposição 200 anos –Memorial de America Latina

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